20.6.06

Milágrimas

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo

Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido

Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido

A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema

Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço

A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

Alice Ruiz

(li esse poema na revista da sala de espera de médico e me perguntei por que não tinha descoberto ela antes. logo eu que amo Leminski. com todo o respeito, puta que pariu.)

14.6.06

Enquanto isso, numa turma de sétima série...

aluna - Professora, a senhora é emo?
eu - olha, eu gosto de algumas bandas nesse estilo, mas não me considero emo, por quê?
aluna - ah, sei lá, sôra, a senhora tem cara de emo.

aluna - Sôra, a senhora gosta de rock?
eu - gosto e muito!
aluna (cochichando pra colega, tentando ser discreta) - viu?! viu?! eu disse que ela era roqueira!!

eu ganho pouco, mas me divirto!