20.6.06

Milágrimas

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo

Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido

Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido

A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema

Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço

A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

Alice Ruiz

(li esse poema na revista da sala de espera de médico e me perguntei por que não tinha descoberto ela antes. logo eu que amo Leminski. com todo o respeito, puta que pariu.)

5 Comments:

Blogger Penkala said...

alice ruiz é genial. adoro os hai-cais dela. tem um POEMINHA dela que é assim:

DEPOIS QUE UM CORPO ENCONTRA O OUTRO, NENHUM CORAÇÃO AGUENTA O POUCO.

junho 21, 2006 10:07 AM  
Blogger Thata said...

putaquepariu mesmo. acredita q eu não conhecia a moça?

junho 21, 2006 1:36 PM  
Anonymous Anônimo said...

achei q eu era a única, Thata!
e os hai-cais dela são geniais mesmo, Ana :)

junho 21, 2006 4:22 PM  
Blogger Renata Freitas said...

mas que bueno isso

junho 23, 2006 1:19 PM  
Blogger Léli said...

Adorei o poema.
Acho que já tinha lido algumas coisas dela com a Ana ou no livroa da tribo.Muito bom!

julho 03, 2006 6:40 AM  

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